Muniz de Albuquerque

Sonho e realidade, paixão e razão, cabeça nas nuvens e pés no chão, poeta, mas não idiota.

Diário
10/04/2007 12h41
Mundo Idiota
Neste sábado faleceu minha vizinha, nem sabia que ela estava doente ou internada, passou dez dias na UTI. Neste período conversei com o marido e o filho e nenhum deles me falou da esposa e mãe. Falamos do São Paulo, do Santos, como os nossos times íam no campeonato paulista, mas eles não falaram do problema de saúde em família.

Moro em um condomínio de casas e, não sabia do que estava acontecendo com o meu vizinho, eles não compartilharam ou não quiseram me "pertubar" com os seus problemas (talvez seja isso que tenha acontecido). Eu e minha esposa ficamos e estamos, até agora, muito chateados, muito tristes com o acontecido.

O que me deixa mais indignado é que recebi a notícia do falecimento da minha vizinha pela internet, MSN. Era onze horas da noite. Uma amiga avisou ao meu filho. Ficamos chocado, não quis acreditar.

Bati na casa do vizinho, estava tudo escuro, sinal de que não tinha ninguém (pensei: Será que a notícia é verdadeira?) Procurei outros vizinhos para confirmar a notícia, todos estavam dentro de suas casas. Fui à casa de outro amigo do condomínio, ele não estava, sua esposa estava quase entrando no banho, mas vestiu-se para atender-me, pedi desculpas e perguntei se era verdade a notícia do falecimento da nossa vizinha em comum. Ela confirmou, disse-me que estava vindo do velório, que soube do falecimento no sábado de manhã.

Voltei para casa e relatei à minha esposa os fatos. A vizinha era diabética, escondia até do marido. Uma senhora, ascendência italiana, muito expansiva, trabalhadora, morava a mais de 20 anos no condomínio. Era conhecida por todos.

Este é um mundo sem graça mesmo. Se este caso tivesse acontecido numa cidade interiorana, creio que a cidade inteira saberia, com antecedência, do que estava acontecendo, mas eu moro em São Paulo e, não sabia o que acontecia com a familia do meu vizinho. Vim saber pela internet. Que coisa mais sem graça! Que coisa triste! Sinto-me um idiota! Minha esposa está inconformada com o acontecido.

Acordamos às 5:30hs e fomos ao velório, no cemitério do Campo Grande. Tinha cinco pessoas sendo veladas. Três homens e duas mulheres. Só neste dia vim saber do verdadeiro nome da minha vizinha, todos a chamavam de Dona Nêga (apesar dela ser branca), mas seu nome de registro era: Caritas. Ela devia ter em torno de 55 anos de idade. Morreu relativamente jovem.

A casa do meu vizinho está silenciosa, a Dona Nêga não está lá cuidando da casa, lavando o terraço, a calçada, conversando com todos, como fazia todos os dias.

Desde sábado à noite me sinto um idiota. A morte tem a capacidade de reduzir o sentimento do homem ao pó, literalmente.

Publicado por Muniz de Albuquerque em 10/04/2007 às 12h41
 
03/04/2007 12h54
Precisava Apenas de um Minuto
Ontem, 02/04/2007, por um minuto, quase que perdia um prazo para entregar um "agravo de instrumento", no forum.

No caminho fui orando, pedindo a Deus que me ajudasse a não perder o prazo.

Deixei minha esposa estacionando o carro e sai correndo até o Forum, uns quatro quarteirões dali.

Fui ao forum contra todas as evidências, no meu relógio já marcava três minutos além do prazo de fechamento, cheguei ao forum, o relógio de entrada estava certo com o meu. No caminho deparei com um "bando" de funcionários saindo do horário de expediente. Não desanimei, fui até a sala de protocolo e, para minha surpresa, tinha apenas uma funcionária, olhei meio assustado para ela e perguntei: "Ainda recebe petições?" Ela riu e disse-me: "Falta um minuto para terminar o prazo." Quase cai no chão. Entreguei a petição, ofegante, e agradecendo a Deus pelo acontecimento, no meu coração dizia: "Foi um milagre! Graças a Deus."

Olhei para o "carimbo" eletrônico posto na minha cópia da petição e vi o horário "18:59hs". Sai do forum com um alívio tremendo, o coração agradecido e repetindo: "Apenas por um minuto, era o que eu precisava."

Na entrada da sala de protocolo tinha uma placa que dizia: "Estamos com o sistema fora do AR". Fiquei sem enteder mais nada.

Obrigado Senhor!

Publicado por Muniz de Albuquerque em 03/04/2007 às 12h54
 
07/07/2006 17h07
REFLEXÕES SOBRE UMA DERROTA
Não gosto de escrever diário. Tentei várias vezes, terminei optando pela poesia. Talvez por ser mais condensada, concisa. Vou tentar mais esta vez. Talvez faça um semanário, em vez de diário.

REFLEXÕES SOBRE UMA DERROTA


Esta semana percebi meu filho diante do video game gritando:
--- Vai Zidane, chuta Henry...
Olhei para ver o que acontecia. No jogo ele podia escolher os jogadores que quisesse e formar o time que queria. O time era o Barcelona, parecia-me que não tinha a opção de nenhum time brasileiro. Os jogadores, bem estes eram francesses, italianos, alemães..., de brasileiro, no time dele, só entrou o Ronaldinho e o Robinho.
Parecia que não estava sentindo falta de outros jogadores pátrios.
Passei a semana refletindo sobre o alcance da derrota da seleção brasileira sobre ele, ainda uma criança, entrando na adolescência.
Não gostei da sensação, dos sentimentos que me acudiam à mente, ao coração quando ele gritava:
--- Vai Zidane, chuta Henry...
A era de Roberto Carlos, Cafu, Adriano, Ronaldo (o Gordo), acho que acabou... pelo menos para o meu filho de 13 anos.

Bom fim de semana

Publicado por Muniz de Albuquerque em 07/07/2006 às 17h07

Tela de Claude Monet
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Página atualizada em 19.03.10 23:24